domingo, 23 de fevereiro de 2014

Duas almas...Alceu Vamosy



Para fechar o final de semana, aí vai um poema que eu amo, que é todo charmosinho, meigo e doído... E um viva para a poesia que me acalma!
Boa leitura!

Duas almas

Ó tu que vens de longe, ó tu, que vens cansada, 
Entra, e, sob este teto encontrarás carinho: 
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho, 
Vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada, 
E a minha alcova tem a tepidez de um ninho, 
Entra, ao menos até que as curvas do caminho 
Se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa, 
Essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua, 
Podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha. 
Há de ficar comigo uma saudade tua... 
Hás de levar contigo uma saudade minha...

sábado, 18 de janeiro de 2014

Desencanto - Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.
 (Manuel Bandeira)

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O desejado de todas as nações...

Então...hoje é o dia que escolhemos para homenageá-lo. É dia de agradecer pelo nosso salvador. Vale a pena acreditar!!!!!! Fiquem com a música linda!!!!!


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Para falar francês de graça e fazendo biquinho! Dica do dia!



Para aqueles, que como eu, morrem de vontade de aprender francês (ou alguma outra língua) mas não dispõem de dinheiro tempo, aí vai a dica de um site que te ajuda a aprender o basicão para tirar onda com os amigos qualquer viagem. 

Este site funciona de forma simples. Você escolhe o que precisa, ele transcreve e pronuncia para você. Tem frases primordiais baseadas nas nossas maiores necessidades cotidianas. A unica coisa é que o "português" ali não é brasileiro, mas de Portugal. Enfim...vale a pena colocar na sua barra de favoritos.

Para acessar clique aqui!


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Reflexõs sobre a morte de Nelson Mandela e a política brasileira

Quase chorei de raiva quando vi imagens dos mensaleiros levantando o punho, em sinal de luta, enquanto se auto-declaravam presos políticos. Quase chorei porque não consigo vêr esse símbolo, que já foi usado de forma tão idealista e honesta, transformado em sinal de mentira, hipocrisia e falta de amor ao próximo.

Cada centavo roubado dos cofres públicos foi roubado do meu bolso. Foi um pedaço da minha vida que foi tirado. As dificuldades e percalços que enfrento como jovem, filha de gente simples, é em grande parte culpa de políticos desonestos e criminosos. Os sonhos de milhares de crianças, ao redor do mundo, são desviados junto com cada ato corrupto dos seus representantes públicos. Só existem meninos e meninas famintos por conta da corrupção.

 Segundo o demógrafo Roberto Luiz do Carmo, pesquisador do Núcleo de Pesquisas da População (NEPO) da Unicamp (em outras palavras ele é um dos caras que conta quantas pessoas tem em determinado lugar e a capacidade que o local tem para o sustento delas),  "mesmo com o crescimento populacional da segunda metade do Século XX, não houve uma crise significativa na produção de alimentos. Houve, pelo contrário, um aumento substancial nessa produção. As situações de fome que afligem muitos países de tempos em tempos, principalmente na África, derivam da incapacidade de inserção no mercado para compra desses alimentos. Ou seja, em nível do mercado global, existe uma produção capaz de atender a população mundial. O que não existe é acesso aos mercados por parte de alguns países."

O acesso ao "mercado" a que o pesquisador se refere pode ser traduzido assim: gente pobre não tem dinheiro para comprar o que gente rica compra. Isso é falta de "acesso ao mercado global". A questão não é a falta de recursos mas sim onde esses recursos estão. Eu tive um professor de geografia que sempre citava: "o problema do nordeste brasileiro não é a seca, é a cerca". Ou seja, alguém aí já viu um nordestino dono de plantações, fazendeiro ou empresário indo em programa de TV reclamar de sede? Ou que o caminhão-pipa não passou naquela semana? Claro que não. A falta de acesso à água é culpa da desigualdade social e não da região ou do clima.

Então, enquanto os "presos políticos" do mensalão gastavam o nosso dinheiro em coisas fúteis como o cabelo das esposas (leia-se amantes também), tinha gente passando fome e sede no nosso País, na nossa Pátria Mãe Gentil...Gentil com quem? O Brasil como instituição política não é mais gentil com seu povo que um ladrão é com sua vítima...

Por tudo isso senti repulsa quando vi um gesto tão genuíno quanto o do grande líder Mandela, propagador da paz mundial (mesmo sem ser miss universo) e da igualdade de direitos entre as pessoas, ser repetido por alguém tão desonesto e fraudulento quanto o Genuíno e seus comparsas... Chorei de raiva com tamanha incoerência.



Aproveito para deixar minha homenagem ao cara que fez muito, mas muito mesmo pelo nosso planeta miserável. Nelson Mandela, que lutou tão bravamente contra o Apartheid ( regime da África do Sul que dava direitos civis só para quem era loirinho ou branquinho). Ele não foi um líder perfeito mas, fez o que era necessário fazer. O gesto dele, punho erguido, olhar firme e ideal de luta, esse sim, merece nosso aplauso. 


Nesta foto de arquivo de 11 fevereiro de 1990, Nelson Mandela e sua esposa, Winnie Mandela, levantam os punhos após sua libertação na Cidade do Cabo, África do Sul
Genuíno se sentindo mártir

sábado, 30 de novembro de 2013

Sempre fui meio travada...



Tá, esse título soa estranho, você pode tirar conclusões esquisitas a respeito. Mas é assim que me entendo (ou seria “me vejo”?). Sou meio empacada, encanada ou encucada mesmo (entenda como quiser, ok!?) com o que os outros pensam.

Isso me irrita e faz viver por prestações, o que não é lá muito bom...Daí vem aquela vontade maluca de sentir, um pouquinho que seja, de adrenalina. Pura, louca e viciante! Essa mesma que te faz virar a noite numa danceteria “mais ou menos” à espera de algo memorável que você vai contar no outro final de semana, numa mesa de bar, para suas amigas, para seus netos e para quem mais quiser ouvir.

Mas não vejo graça em balada. Ok, tenho que concordar que dançar é ótimo, faz bem pro corpo, pra alma, é um excelente exercício e tal...Mas é tão óbvio. Você coloca o mesmo vestido brilhante, colado e curto, que acaba com sua personalidade (é exatamente igual ao das suas amigas, parece que compraram todas juntas), faz a mesma maquiagem estilo femme-fatale, toma alguma coisa que te deixa meio zonza, grita uns pedaços da música enquanto se equilibra em 15 cm de salto e torce, desesperadamente, para que alguém apareça e te leve pra casa! Pode ser que você goste...que bom! Mas eu, euzinha, não tenho a menor paciência para isso.

Porém sou normal (nem tanto), jovem, cheia de expectativas com a vida e preciso de emoção, perna bamba, cabeça fora do lugar e umas escorregadas por aí, de vez em quando, como todo mundo. É nesse ponto que eu travo. Fico tentando fazer tudo direitinho e acabo não saindo do “quase”. Desse jeito eu quase me divirto, quase aproveito, quase vivo...

Ficar ali, na mesmice rotineira da vida é confortável e, se você pensa como eu, seguro. O problema é que é seguramente chato também. Muito chato, um porre de tão chato! E chatice também não é lá uma coisa muito legal...

Essa necessidade de ter sempre muito mais da vida, às vezes, me enlouquece. Dá vontade de jogar tudo para o alto e sair por aí, sem rumo...sem prumo! De provar coisas diferentes, de correr na chuva, de falar com estranhos, de ver o pôr do sol em terras novas, de estender a mão e pedir um táxi sem saber aonde chegar...de ser mais, de sentir mais...

Sentir a pele arrepiar sem motivo, sentir aquele calor emanar de um peito satisfeito, abraçar o mundo com as pernas (contrariando minha mãe) e sentir o coração pulsar acelerado, como se aquele fosse o último momento...

Não sei exatamente que sensação é essa, sei que invejo aquele cara que faz malabares no sinal. Ele parece ter tudo o que precisa...Seu nível de desapego das coisas fúteis da vida, me acalma. O sorriso dele me faz acreditar na poesia de ser o que se quer e não o que é imposto. 

Acho que é isso...sei lá...!

(L.K)